Objeto: buião

Ano: 2023

Região: Paranoá

História:
Gente, isso aqui, para quem não conhece, é um buião feito de barro, é antigo. Eu ganhei da minha bisavó. Na época, a gente não tinha luz, não tinha fogão a gás, não tinha garrafa térmica. Então, fazia um café nesta vasilha aqui, depois tirava, tampava com coité – acho que alguém aqui conhece o que é coité – e deixava no canto do fogão de lenha. Esse café permanecia o dia e a noite quente e não mudava de gosto.
Está aqui, já está bem velhinho, mas esse buião tem muito que contar, porque ele já viajou comigo, viu? É um dos meus queridos que eu tenho dentro de casa, porque isso aqui eu me lembro dos meus pais, dos meus tios, da minha avó e da minha bisavó, que morreu com 96 anos lá no interiorzinho de Minas. Então, isso aqui é uma relíquia que eu gosto muito e tenho cuidado. De vez em quando eu faço um cafezinho e ponho nele. Ele vai no fogo, ferve normalmente. Não é ferro, é barro, tá?
[Outra pessoa pergunta:] — “E ele passou por onde? Por quais cidades?”
Olha, vim de Belo Horizonte, de Belo Horizonte fui para São Paulo, de São Paulo eu morei no Rio, do Rio vim para Brasília e está aqui comigo. Sempre carrego isso aqui na minha mala. É o primeiro que vai, de tanto que eu trago. Enrolei ele no paninho de prato, com todo cuidado, amarrado igual o pessoal antigo amarrava, coloquei dentro e dei os três nós e veio dentro da cestinha. É costume da gente da roça.