Objeto: lamparina e lençol
Ano: 2024
Região: Candângolândia
História:
Essa lamparina, ela me lembra muito quando eu era criança, porque as minhas irmãs namoravam, sabe? E eu tinha que ficar sentada no chão, com essa lamparina acesa entre as minhas pernas, enquanto minhas irmãs namoravam. Aí eu ficava muito preocupada, porque eu era Caçula… E eu falava: “Ué, e quando eu for namorar, quem é que vai segurar essa lamparina?”
Essa lamparina me traz muita recordação e muita raiva, também, porque eu morria de raiva das minhas irmãs, porque eu tinha que ficar ali cochilando com a lamparina acesa.
Quem ficou com as lamparinas foi a minha mãe, porque logo depois que as minhas irmãs casaram, uma veio aqui para Brasília. Essa mesma que me fazia muita raiva, porque ela namorava, demorava pra chegar e o namorado demorava para ir embora. Aí ela casou e veio embora e, com 12 anos que eu tinha, peguei a mula e nunca mais voltei. Essa é a história da minha lamparina, mas a bichinha não tem culpa, né?
Tem o lençol também! Meu Deus, não dá nem pra acreditar que esse lençol tem tantos anos. Eu ganhei ele com 10 anos e hoje eu tenho 65. Ele tem 45 anos, mas eu só uso no dia do aniversário da minha mãe, que é 20 de dezembro. Toda vez eu tiro e uso ele, aí depois eu guardo, lavo e guardo… E ele tá aqui!
Foi a minha mãe que bordou em uma máquina de costura igualzinha essa daqui, igualzinha… É bordado na máquina com bastidor. Isso aqui é a relíquia que eu tenho, é o melhor presente que eu já tive na minha vida! Tá escrito “NEGA” que é meu apelido, porque a parteira disse: “Nossa, ela parece uma neguinha.” Aí pronto, aí meu apelido ficou “nega”.