Objeto: ferro de passar e lamparina

Ano: 2024

Região: Candângolândia

História:
Quando meus pais se separaram, eu tava com 10 anos, e aí fui obrigada a passar roupa que minha mãe pegava de fora para passar, roupas daquelas madames, aquelas toalhas de linho de banquete, grande assim. Eu ficava quase o dia todo passando a toalha.
Cortava uma banda da carnaúba para fazer uma tábua e costurava, depois botava do fogão para mesa ou pra cadeira. Um dia, soltou uma faísca e queimou uma toalha. E além de trabalhar de graça pra minha mãe ganhei foi uma surra.
Essa é a minha história. Todo dia eu ajudava ela a passar roupa. Ia deixar com a trouxa de roupa na cabeça, porque as duas mãos não cabiam. Ganhei uma surra, porque queimou a pontinha da toalha da patroa, da madame. E tem muitas histórias tristes, também. Tinha um candeeiro desse tamanho [ela aponta para a altura do colo] e a gente ficava muito na fuligem e a gente vivia só tossindo, gripado, por causa do cheiro do querosene. Ela bordava muito para fora.