Objeto: fotografia e mala
Ano: 2024
Região: Brazlândia
História:
Isso que aconteceu foi um milagre. Meu nome é Nilzethe. Isso aqui é um milagre… É um milagre muito bonito que aconteceu na minha vida. O meu marido ficou doente, e uma noite antes de ele falecer, minha filha me deu duas velas de Pentecostes.
Quando meu marido era vivo, nós dois fazíamos o cenáculo do Movimento Sacerdotal Mariano para Nossa Senhora de Fátima. Ele ficou internado com problema do coração e foi uma noite antes de ele falecer que minha filha me deu essas duas velas de Pentecostes. Eu e meu marido fazíamos o terço 6 horas da manhã e 6 horas da tarde, mas, como ele estava internado, fiquei muito preocupada, então eu fazia só uma vez na parte da tarde. Na correria, eu não tinha um pires, então corri e peguei uma tigelinha. E nessa tigelinha eu botei a vela para queimar, fiz uma oração e rezei o terço.
Quando terminei, deixei a vela queimando a noite toda na tigela e fui para a sala assistir televisão, que estava passando o programa do padre Marcelo Rossi. No programa do padre Marcelo, tem um rapaz que canta com ele, o Bruno, não sei se vocês conhecem. A música que ele estava cantando dizia assim, Dai-me um coração novo, e foi isso que aconteceu. No outro dia, levantei pra fazer a oração no oratório na minha mesinha e vi a tijelinha quebrada em forma de coração.
A vela queimou todinha, não ficou nem o pavio, não ficou nada, nada. Não sobrou nada dela. E os caquinhos do coraçãozinho que formou na tigela fizeram outro coração. Dai-me um coração novo porque Nossa Senhora estava lá e aconteceu de fazer isso aqui. Como um milagre, aconteceu. Um coração novo porque meu marido estava muito triste porque ia falecer, mas uma noite antes de ele falecer aconteceu isso aqui.
As casas daqui eram barracos de tábua. Quando eu casei, (essa mala também representa quando eu vim mudar pra cá) comprei a mala para botar as roupas e vim embora pra casa, pra Brazlândia. Eu casei lá em Minas Gerais, perto de Unaí, em Cabeceira Grande, e já vim embora pra casa.(Antes de eu casar) Eu já morava em Brazlândia, mas voltei para Minas para me casar. Não sei se vocês já ouviram falar do Vietcong, a invasão do Vietcong? Dessa invasão do Vietcong que eu vim pra cá, em Brazlândia. Então foi aí que começou a minha história de eu encontrar o amor da minha vida. Ficamos noivos e casamos em Cabeceira Grande, Minas Gerais.
Eu sou do início de Brazlândia e, quando mudamos pra cá, não tinha água encanada. Aqui era um cerradão, e só tinha um chafariz. Era uma briga, minha filha, para poder pegar água. Eu não brigava não, mas o povo brigava. Quando a gente precisava lavar a roupa, íamos para um córrego lá embaixo. A gente pegava a trouxa de roupa, colocava na bacia, subia e descia o morro com a bacia em cima da cabeça. Eu sofri, viu?
Quando eu vim pra cá, pra Brasília, eu tava com 9 anos de idade. Vim para tomar conta de uma criança. Eu, criança com 9 anos, tomando conta de outra criança. Minha mãe conta que, quando eu morava com ela, meu pai morreu e eu não tinha nem 1 ano. Fui criada com minha mãe daqui pra colá pra gente não passar fome, então ficava andando pelas fazendas, trabalhando de casa em casa, lavando roupa para ter o que comer. Fui criada por ela para não me deixar passar fome. Eu vim para Brasília de Minas e ela ficou lá.
Uma vez apareceu um matador de gado que andava matando os gados, aí ele apareceu. Nessa época eu morava em Taguatinga, e ele foi lá umas duas vezes. Não tinha conhecimento com ele. Então, uma mulher em Taguatinga precisou de uma pessoa pra ajudar a cuidar da criança dela. E quando esse homem foi lá, esse açougueiro, matar o gado, ele e falou com minha mãe que a mulher estava precisando de alguém.
Minha mãe então mandou eu vim com esse homem que eu não conhecia direito. Eu vim morrendo de medo, e quando cheguei aqui era pra tomar conta dessa criança em troca de calçado, roupa e comida. Então minha mãe, que era viúva, ela também, se engraçou com ele. Os dois se engraçaram. Aí ela veio pra cá. A mulher com quem eu morava me explorava muito, aí minha mãe ficou com dó e voltei para a casa dela. E foi assim que as coisas foram acontecendo.