Objeto: pirâmide, estátua de cantora, máscaras
Ano: 2024
Região: V. Telebrasília
História:
Queria saudar a diversidade presente aqui. Dizer “gratidão por este momento”, porque acho esse projeto surreal. Fiquei encantada, apaixonada. Trabalhar essa questão do patrimônio material, da memória, da história, acho que é valorização da nossa cultura, histórias e memórias.
Eu me chamo Renata Parreira e afirmo isso, porque Lélia Gonzalez diz que a gente fica sem nome por muito tempo. Principalmente nós, que somos negras e negros. Os indianos acreditam que o nosso nome é um mantra e que o significado dele predestina a nossa vida. Renata significa renascida como a Fênix. Um pássaro que, em um voo libertado, entra num processo de autocombustão, vira cinzas e ressurge das cinzas. E esse ciclo de morte e vida, de ressurgimento, é muito presente na minha vida. É histórico, e acho que também está presente na vida de muitas pessoas.
Trouxe a pirâmide porque eu acho que a pirâmide do Egito é a comprovação de que a África foi uma civilização avançada, mas que a gente tanto nega. A gente aceita o etnocentrismo, essa coisa da Europa. Mas quem é que estava produzindo conhecimento milenar? A África. Então eu acho muito simbólico, principalmente para nós hoje, que somos filhos da diáspora.
Também trouxe essa estátua de uma cantora negra. Me deu até muita vontade de cantar o samba, porque a gente associa muito do que é arte ao que é clássico, mas esquece do nosso berço. Eu quero cantar um trechinho de um samba pra gente. Esse é um processo que é um pouco quebrado na minha história, porque eu sempre tive vontade de cantar e não faço isso.
Tenho essas duas máscaras. Uma está quebrada, com uma identidade fragmentada que sou enquanto mulher negra, sempre no processo da incompletude, de tentar achar aquela coisa da metade da laranja. Eu acho que isso é uma grande ilusão, mas também que a gente merece ser amada, e eu acredito que eu ainda conseguirei. Conseguirei enquanto mulher negra me completar. Eu acho que só enquanto estou completa é que posso me oferecer para outra pessoa partilhar e compartilhar, fazer alguma troca. Não vamos desistir do amor não, tá, gente? Não desisti não.