Objeto: máquina de costura e ferro de passar

Ano: 2024

Região: Brazlândia

História:
Esse ferro de passar me recorda muito a minha infância. Passei roupa demais pra ganhar dinheiro. Enchia o ferro de brasa. Sempre tinha uns jovens que queriam ir pra festa e não tinham como passar roupa, então iam lá em casa, que tinha ferro de passar. Falavam comigo, “Rita, você pode passar minha roupa?”, “Posso, posso”.
E essa máquina de costura me recordou a minha mãe, que também tinha máquina. Eu sempre quis aprender a fazer as costuras, também. Ela costurava, fazia paletó, todo tipo de roupa. Como eu tinha muita vontade de aprender a costurar, um dia eu fui fazer as roupas das minhas bonecas.
Eu tinha uns nove anos de idade. Naquele tempo, a gente já trabalhava na roça, mas naquelas horas vagas a gente tinha umas folguinhas. Convidava as colegas para brincar de boneca, então eu queria ter uma roupa nova pra minha boneca.
Um dia mãe saiu e eu fiz escondida. Nada escondido presta: enquanto eu fazia a roupa da minha boneca, a agulha da máquina entrou no meu dedo. Foi assim que a mamãe descobriu: eu fui passar a roupa da boneca e ficou a mancha na roupa da boneca. Aí, quando ela chegou, fui mostrar: Mãe, olha aqui. Ela perguntou, “E esse sangue?” Eu disse: “Ah! mãe não queira descobrir não, mas é que a máquina tá sem agulha porque quebrou.”