Objeto: agulha de tricô e máquina de forrar botão
Ano: 2023
Região: Paranoá
História:
Minha história é com essas duas agulhas de tricô, que foi uma coisa que eu herdei desde os 12 anos de idade com minha professora do 3º ano primário. Eu a vi fazer roupinha de criança. Ela fazia tudo que era roupa de lã. Aí, eu sentei no banquinho de madeira perto dela e falei: “Professora, eu quero aprender”. Eu sentei e fiquei olhando. Lá onde eu morava com meus pais, no interior, não tinha loja, não tinham essas coisas. Aí, eu falei: “Como que eu vou aprender?” Então, minha mãe foi e rasgou um saco branco, tirou aquela linha branca que tem em volta para fechar o saco e enrolou num sabugueiro de milho e me deu. Meu pai tirou do raio da bicicleta velha duas agulhinhas e lixou com a lima, deixando aquele negocinho do raio. Assim, eu comecei o meu tricô. Eu fiz um mostruariozinho para colocar pasta de dente com essas ditas agulhas e com essa linha. De lá para cá, eu queria investir mais, então minha professora falou: “Eu vou arrumar um novelo de linha e você faz um cachecol”. Eu fiz e rifei. Depois, o esposo dela foi na cidade e comprou mais linha. Assim, eu fui fazendo, fazendo, e hoje eu sou artesã, graças a Deus.
Eu amo isso aqui, porque eu já ganhei muito dinheiro com essas agulhinhas. Eu dou aula, por enquanto aula de pintura em tecido, porque eu estou investindo em outros trabalhos também. Estou dando aulas em Candangolândia, num grupo com cento e poucas mulheres, e no Cose. A gente está expandindo. Onde o pessoal me dá uma chance, eu estou lá para ajudar as pessoas, passar minha experiência, passar o que eu gosto. E quem gosta começa a trabalhar.
Minha mãe costurava por medida da roupa. A pessoa queria uma blusa, levava a blusa e ela olhava, virava a blusa do avesso, tirava a medida e cortava o tecido. Às vezes, ela passava para o papel e, depois, no tecido, cortava. Ela costurava muito para fora, ganhando dinheiro com essas máquinas. Na época que ela costurava, foi a época também que o pessoal descobriu os botões forrados, usados para um vestido, uma blusa, para ficar bem decoradinho. Quando ela costurava, ela me dava alguns retalhinhos e, os botões, eu ia forrando com essa máquina. E olha que meus braços doíam, porque eu forrei muitos botões! Então, gente, é muito bom a gente lembrar das coisas antigas. Porque lembra da família, lembra da formação que a mãe deu na época. Pra gente hoje é uma história, uma história bonita. Então, essa é a minha história da máquina de forrar botão.