Objeto: história e artesanatos

Ano: 2023

Região: V. Planalto

História:
A gente prende esse enfeite na cortina e ele fica bem bonitinho. Muito bonitinho… A gente tem que fazer um desenho antes de costurar, mas eu não tive tempo de fazer. Faço uns passarinhos também, que a gente bota em quarto de criança. A gente bota uma linhazinha, pendura e a criança fica batendo os pés no berço e os passarinhozinhos vão rodando. É muito bonitinho! Eu faço também uma sacola apropriada para a criança levar as coisas para catecismo, colégio, para algum lugar. Dá para colocar os cadernos.
Eu vim de um lugar no interior, chamado Joaquim Felício, em Minas. O meu marido veio primeiro e, depois, quando ele foi me buscar, eu vi que tudo estava em construção, tudo de andaime. Eu chorava feito uma louca. “Você está me fazendo ir pro mato!” Era horrível, eu achava horrível.
Eu comecei a lavar roupa para os candangos, porque nessa época, eram só os candangos. Mas lavando roupa a gente ganhava pouco. Ganhava dezessete reais. Então, fui começando a lavar roupa para um, para outro, e tendo filho um atrás do outro. Como diz o ditado: “Não tinha televisão, não tinha nada”. Uma luta, foi uma luta. Era uma poeira. A gente botava a roupa das pessoas no varal e fechava os olhos para pegar de volta e lavar de novo. Minhas duas filhas foram nascidas dentro de casa. Lavei roupa foi com a mão mesmo, e fervendo. Lavei muita roupa de jogador de futebol da TCB.
Hoje eu estou com 87 anos e, graças a Deus, ainda faço um monte de coisa. Principalmente: levanto cedo, tomo meu café, tomo meu banho e vou cuidar das coisas. Adoro shopping, um cafezinho. Tenho nove tataranetos, graças a Deus, nove tataranetos. Eu venci! Hoje eu me sinto rica, milionária, porque graças a Deus eu tenho tudo. Não preciso de nada. Como diz o ditado: “Só Deus basta.”