Objeto: chá e roupa de bebê
Ano: 2023
Região: V. Planalto
História:
Tem muita coisa aqui da nossa infância. O chazinho… Cadê a caixinha do chá? Esse chá aqui, mamãe falava assim, ó: “Vai lá no terreiro, no quintal. Vai lá no quintal e pega o chá”. Porque já havíamos ganhado pão.
Aqui nós tínhamos o Salão da Sopa da Dona Maria, que era de uma família, e eles faziam sopa. À noite, de tardezinha, nós íamos com as panelas, íamos buscar. E minha mãe foi uma das pessoas que trabalhou dez anos lá de voluntária. Então, quando a gente pegava sopa, nós ganhávamos o pão. Quando chegava à noite, mamãe falava: “Pega lá no terreiro, no quintal”, porque aqui é quintal, no Rio de Janeiro que é terreiro. Ela pegava uma folhinha lá pra gente tomar um chá para dormir. Eu já tinha ganho o pão, então me lembrou demais da nossa infância, muito, muito.
Não foi fácil, nossa infância não foi fácil. Meus pais tiveram oito filhos e foi tudo com muita dificuldade. Hoje, graças a meu bom Deus, nós somos ricos, todos nós. Eu nasci em casa, e mamãe me teve sozinha, porque meu pai tava pelo mundo, por aí. Quando meu pai chegou, já estava eu ali no braço dela, no dia 6 de janeiro de 1962. Então, isso aqui foi uma das lembranças muito lindas que gostei; lembrei na hora que eu peguei o chá.
Essa roupinha foi comprada em 1989. Isso aqui foi do meu filho. Depois de ter tido quatro gravidezes e ter perdido três bebês, me internaram para eu ter o meu quarto bebê. E aí eu entrei no quinto mês de gravidez, fiquei internada no HRAN durante 3 meses, e Deus me deu ele. Hoje ele está com 32 anos. Mas antes de Deus me dar ele, ele levou a minha irmã que deixou dois filhos: um minha mãe ficou e o outro eu fiquei. E esse outro tem 36 anos. Então eu tenho dois rapazes, que é o Alisson e o Andrei. E aí tá aqui a roupinha do bebê Andrei.