Objeto: lamparina, cuia

Ano: 2023

Região: Paranoá

História:
Me chamou atenção esse objeto, porque eu sou de Minas, Paracatu. Lá, a gente ficava ali fazendo coisas, se ocupando daquilo, e também pra se sujar e depois tomar banho no córrego. Porque a gente adorava fazer aquilo, se sujar de lama… E hoje vejo o tanto que foi importante pra mim fazer aquilo: a gente se sujava e ia tomar banho depois. Até hoje eu lembro disso e tenho saudade. Toda vez que estou nos meus devaneios, eu lembro desse trabalho que nós fazíamos lá na beira da praia em Paracatu.

Eu tenho uma história com a lamparina que é um negócio meio escabroso. Lá em casa tinha lamparina e mamãe botava uma na sala, uma no quarto onde a gente dormia e outra na cozinha. Eram lamparinas com aqueles pavios bem grandes. E tem a época, na cidade do interior, daquelas libélulas, aquelas mariposas grandes, principalmente na época de milho. Na época que o milho estava nascendo. Então a gente ficava conversando e, às vezes, entravam essas mariposas grandes. A gente chamava de mariposa grande.

Elas ficavam rodeando a lamparina e a gente morria de medo. Teve uma vez que meus irmãos, pra fazer gracinha com a gente, saiu correndo e disse “Olha o bicho!”. Eu quase caí. Então dessa época pra cá eu morria de medo porque ele me fez medo. Fazia medo, fazia medo não era só a mim, mas a meus irmãos também. Eles faziam medo pra gente. Criança terrível, né? E eram aqueles bichos, né?