Objeto: ferro de passar, máquina de costura, máquina de datilografia
Ano: 2024
Região: Brazlândia
História:
Aqui tem três coisas que lembram a minha infância. Minha mãe passando roupa, porque ela era lavadeira e passadeira de roupa, mas eu não passava não. Só minha mãe, porque nessa parte eu sou péssima. E essa máquina aqui, que eu lembro que aprendi a costurar nela. A minha mãe, quando virava as costas, eu pegava minhas roupas de bonequinha e eu ia fazer. Então o que sei hoje de costura eu agradeço por fazer escondido.
Uma vez, enfiei meu dedo na máquina e minha mãe chegou na hora. Eu fui tirar e, puff, o trem ficou trespassado e eu gritando. Minha mãe tirou e ainda me deu uma coça.
Eu estava com 15 anos quando me botaram no curso de datilografia e a gente ia. Quando a professora virava as costas, a gente colocava aquela música do Amado Batista, aquela lá do hospital, nem me lembro mais como é. A gente largava a máquina e ia dançar um pouquinho. A gente dançava, a professora chegava e a gente corria de volta para a máquina. Ela dizia: “Mas eu não estou ouvindo o barulho da máquina”. E falavam: “É a Marly que põe a gente no mal caminho”. Então a professora me colocava num canto separado para eu poder fazer as coisas, as tarefas. Enquanto eu não fazia, eu não saía de lá. Todo mundo ia embora, e eu ficava lá fazendo.
As professoras de antigamente não são como as de hoje não. Então isso é uma lembrança muito boa que eu tenho, na época das minhas colegas que hoje em dia não sei por onde andam.
Na máquina de costura, meu dedinho ficou enfincado. No ferro, minha mãe passando roupa e ela botava eu para passar, mas nunca fiz até hoje igual ela.