Objeto: vários
Ano: 2024
Região: Candângolândia
História:
Lá em casa tinha uma máquina de costura dessa e era Singer. Tinha o rádio para tocar a Aquarela Nordestina no sábado, das 16h às 18h . Juntava aquelas moças e aqueles rapazes na sala e iam dançar ouvindo Luiz Gonzaga. Eram 4 horas de Luiz Gonzaga tocando na Aquarela Nordestina.
Essa máquina aqui, quem era da minha época, fazia o curso de datilografia, pois era importantíssimo.
Mas eu quero falar é desse maracá. Ele é recente, mas o maracá de que eu vou falar tem 30 anos. Parece com esse. Eu fiquei apaixonado por aquele maracá de 30 anos. Foi na 8ª Conferência de Saúde na UnB em comemoração dos 30 anos do Sistema Único de Saúde. A sala era a Paulo Freire. Aquelas senhoras que vêm de cultura popular e faziam xamã formavam duas filas. As pessoas davam as mãos e a gente passava por baixo. Esse maracá acalma as nossas ansiedades quando a gente vai passando debaixo daqueles braços cruzados e esse maracá bate.
Também é uma questão de saúde pública. E quando eu falo de Sistema Único de Saúde, que fez 30 anos, e a Sala Paulo Freire de Educação Popular (que até hoje mantém as Conferências) a gente conhece por Tenda Paulo Freire. Dentre essas Conferências, ganhei esse copo da Quinta Conferência de Saúde Mental no Brasil. Ela aumentou a partir de 2020, pois a sociedade está doente, o mundo está doente, e nós precisamos trabalhar com a Saúde Pública. Para que ela possa evoluir e, também, ter uma contextualização.
A Oitava Conferência é um marco da história do Sistema Único de Saúde, e agora vamos ter a Quarta Conferência de Gestão e Saúde do Trabalhador. É de lá que veio o maracá, pra terminar essa história, com a saúde do corpo e da mente do povo [maracá tilintando e palmas].
Esta estátua está toda arranhada. Há 21 anos eu tinha duas estátuas. Essa nega maluca e outra, uma deusa grega. Foi uma missionária lá em casa me ungir e a pessoa que levou a missionária disse que tinha que tirar esse negócio de cima porque a deusa grega estava pelada e aquela missionária não podia ver. Minha irmã foi e botou a estátua detrás do fogão. A estátua quebrou, e essa ficou toda depenadinha. A estátua não era indecorosa, ela era baixa, bonita, e quem me deu não me dava mais, já tinha partido.
Vivemos 22 anos juntos, foi meu primeiro namorado, foi meu primeiro amor. Eu nunca tinha namorado porque eu sempre vivi em função dos outros. Vim do interior do Maranhão, uma cidade pequena. Fiz 20 anos de idade, cheguei em Brasília. Tem 43 anos que eu estou aqui. Estou com 63 anos.
Em 1984, conheci a pessoa que me deu esse presente; em 2008 essa pessoa foi embora. Nesse ano eu estava muito mal no hospital com câncer, dizendo que ia-me embora, que eu estava morrendo. Minha irmã liga pra Boa Vista e diz pra mamãe que eu não tinha mais vida e que o médico já tinha me despachado, mas quem foi embora foi ele há 20 anos atrás e eu estou aqui. Eu não vou chorar mais, porque eu já cansei. Minhas lágrimas não saem mais por causa disso, eu já cansei de chorar.